| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Charadriiformes |
| Subordem: | Scolopaci |
| Família: | Scolopacidae |
| Rafinesque, 1815 | |
| Subfamília: | Arenariinae |
| Stejneger, 1885 | |
| Espécie: | C. mauri |
O maçarico-do-alasca (Calidris mauri) é uma ave charadriiforme da família Scolopacidae, conhecido também, em Portugal, como pilrito-ocidental. Com uma estimativa de população de aproximadamente 3,5 milhões de indivíduos (Bishop et al. 2000), o maçarico-do-alasca é uma das aves limícolas mais abundantes no hemisfério ocidental, apesar de sua faixa de reprodução restrita nas regiões costeiras de tundra no oeste do Alasca e no extremo leste da Sibéria.
Trata-se de um maçarico pequeno (14–17 cm; envergadura 35–37 cm; 22–35 g). Pernas pretas, às vezes tingida de esverdeado ou acastanhado, com pequenas membranas entre os dedos, particularmente entre o dedo médio e o externo. Bico preto, ligeiramente curvado com ponta bastante fina, medindo cerca de 2,5–3 vezes a distância loral (distância entre a margem posterior do bico e o olho). A íris varia entre o marrom e o marrom escuro. A plumagem reprodutiva dos machos ligeiramente mais avermelhada na cabeça, costas e escapulares. As fêmeas são maiores e mais pesadas. Plumagem juvenil distinta, apresentando quantidades variáveis de castanho.
Em áreas de reprodução e áreas de descanso migratório no interior do continente americano, alimenta-se preferencialmente de invertebrados bentônicos de água doce e água salgada (em áreas de reprodução costeiras), insetos adultos e aranhas. Nas áreas de descanso migratório costeiras e áreas de invernada, alimenta-se de invertebrados bentônicos marinhos, principalmente artrópodes, anelídeos poliquetas, moluscos bivalves e biofilme.
As primeiras aves chegam aos territórios de reprodução no sul do Alasca em meados de maio, e a corte se inicia imediatamente. A chegada e a formação do par ocorre várias semanas depois em locais mais ao norte da área reprodutiva. A postura dos ovos começa logo após o derretimento da neve, de meados a final de maio nos criadouros ao sul, de meados a final de junho no norte.
Os ninhos geralmente são depressões bem definidas na tundra (5,0 a 7,5cm de diâmetro interno), forradas de folhas, juncos e líquenes, bastante frágeis e frouxamente feitos. As áreas de nidificação são pequenas ilhas de tundra ligeiramente elevada e bem drenada, dominadas por vegetação arbustiva de charneca (Betula, Arctostaphylos, Empetrum, Vaccinium, Salix), às vezes intercaladas com tundra mista de arbustos e tufos de juncos (Eriophorum sp.) cercado por grandes extensões de tundra com tufos curtos e úmidos.
As fêmeas põem de 2 a 5 ovos, sendo 4 a quantidade mais comum. Os ovos têm cerca de 3,1cm de comprimento e cor creme manchado de marrom (menos manchado na extremidade menor). A incubação dura 3 semanas e é compartilhada pelo casal.
A maioria da população global passa o inverno boreal em baías costeiras e estuários ao longo da costa do Pacífico das Américas entre a Colúmbia Britânica e o Peru, embora pelo menos 10% passe o inverno ao longo da costa atlântica e no Caribe entre Nova Jersey e Venezuela. Durante a migração para o norte em abril e maio, bandos enormes e espetaculares, com centenas de milhares de indivíduos, são comuns nos principais locais de parada, da baía de São Francisco ao Delta do rio Copper, no Alasca. A maioria dos maçaricos-do-alasca migra ao longo da costa do Pacífico, embora um número significativo se mova pelo interior do continente, especialmente na migração para o sul.
Durante o inverno, os maçaricos-do-alasca são segregados latitudinalmente por sexo, tamanho do corpo e idade na primeira reprodução. Uma proporção maior de fêmeas é encontrada na parte sul da faixa de inverno, enquanto os machos predominam no norte. Os pássaros do sul são maiores no geral e têm asas e bico desproporcionalmente mais longos.
No período reprodutivo a espécie é encontrada principalmente na costa oeste do Alasca. Provavelmente, mais de 50% da população mundial se localiza no delta de Yukon-Kuskokwim, neste período. Há também uma pequena população reprodutiva no leste da Sibéria, na península de Chukotka.